quarta-feira, 25 de abril de 2012

Não merecem sequer um dos versos que lhes dediquei
E se eu fosse pra ponta do lápis não valeria o tempo
que gastei.
Por isso minha lira não tem dono
Escrevo por ter enorme necessidade de dizer o que sinto, é um expurgo, não uma prova de amor.

quinta-feira, 12 de abril de 2012




Logo fará um ano da última vez que morri, a última morte sempre me parece a mais dolorosa, a essencial, aquela que marcará a passagem do que sou para algo melhor e mais forte, não vejo força no que experimento agora, eu era mais forte antes, se não era forte, era ao menos destemida, tinha a coragem dos corações que não conhecem a dor, ao menos não as dores profundas.
Depois que a gente morre fica aquele medo, aquele que dá em algumas pessoas que tem dificuldades em engolir comprimidos, medo de engasgar ou de que ele dissolva e fique aquele amargo que demora a sair, depois que a gente morre o amargo fica dentro da gente por tempo indeterminado, como um lembrete de “não se atire do alto da escada, porque você já sabe que vai doer” é aí que todo ímpeto se acaba e a gente aprende a cautela que só um coração machucado conhece, não é bom viver com medo.
Outra coisa é que o período logo após a última morte nos faz imaginar as próximas, nos faz pensar sobre os nossos limites, quanto mais de sofrimento cabe em nós sem que rache nada? Ficamos tão saturados de morrer que a próxima sempre parece a derradeira, que vai romper tudo, acabar de vez não só com a dor, mas que vai finalmente arrasar tudo que há de bom e ruim, até sermos tão nulos que a vida se torne uma fatalidade, uma sucessão de dias sem sentido algum.  Da última vez que morri enterrei meus sonhos. Não me parece que restou grande coisa.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Será?



A pergunta que me faço é sempre a mesma
Onde começou a rachadura em mais um sonho de cristal?
Sentimentos que cintilavam inteiros e banhavam de luzinhas coloridas
Tudo que eu via como nosso...

Está de fato se partindo? eu gostaria tanto de estar errada...
Pensas de fato em mim todas as horas?
E que fazes a esses pensamentos que não me dizes?
Sabes bem que isso tornaria cada um dos meus dias mais felizes.

domingo, 8 de janeiro de 2012

É o que eu quero.



Amar o amargo sabor de um sentimento inteiro com seus ônus e bônus, sem que isso seja uma agressão a si mesmo. Amar sem medidas e apesar de todas as feridas, amar o que é feio nele, o que ele tem de mau, o que tem de humano, de ser errante, amar profundamente, se dar a conhecer, alimentar a alma do outro, deixar que a energia dele me inunde, que me deixe plena. Que eu possa amar sem temer a dor previamente sabida que há no fim, que fatalmente acontecerá por um ou outro motivo, amar tanto que prossiga amando mesmo depois do fim, mesmo em meio a dor, amar pra sempre.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Novo?



Será que pode de fato ser novo?
Deixar como morto tudo que se foi passado?
Será que há coração tão leviano que esqueça
Que siga sem lamentar?

Pode de fato ser novo? Será?
Então me diz, que fazer aos mortos que não me querem deixar?
E que fazer aos vivos que insistem em fazer parte de algo que sequer comecei?
Há de ser novo assim? Será?

Novo capítulo talvez, um novo ato quem sabe
Não um novo livro.
Pode-se mudar aqui e alí, mas o que já se fez, permanecerá.

Que o tempo esmaece as cores mas não apaga
Que as feridas cicatrizam mas deixam marcas
Porque sentimento é coisa que se transforma, mas não se mata.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Obrigada




Agradeço por cada dia que me testas
Por toda dor que me infligistes
Retirando de mim diariamente pessoas amadas
Sonhos não consumados
Pela inocência que se perde a cada segundo de vida
Por me mostrar que mesmo o que parece bom pode ser mau

Agradeço por não me calar a boca
Agradeço pela culpa que me deste de herança
Sim Pai, minha culpa, minha tão grande culpa...
É herança tua que sempre me fizestes sentir
O mais mal criado filho que resmunga diante dos desígnios do Pai

Agradeço pelo pecado
Este fardo que me diz que em tudo que faço
Há algo de errado
Obrigada por sempre me lembrar que sou pequena
Que sou mulher,e que é em mim que mora todo pecado.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Compulsiva.



Por comprimidos e sentimentos que sequer consigo identificar
Por imagens que criei, por pessoas que inventei
Por amores perfeitos e quentes
Por brigas passionais e pratos lindos

Por futilidades exibidas em vitrines
Por vidas cheias de um sentido enorme
Por amores de verdade que nada tem de torrentes
Por dignidade, justiça e igualdade

Pelos meus
Pelos que amo
Principalmente pela pessoa que quero ser

Pelos meus sonhos
Cada um deles
Que passeiam estúpidos na minha mente cheia de planos.